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China e Brasil assinam acordo para treinamento de futuros aviadores navais chineses »

Jean-Michel Guhl
18 de Fevereiro de 2010

Paris, 18 de Fevereiro de 2010 - Recentemente Brasil e China fecharam um acordo que permitirá que os futuros pilotos navais da “Marinha do Exercito de Libertação Popular” (PLAN - People´s Liberation Army Navy) recebam treinamento a bordo do NAe São Paulo pela marinha brasileira. Isto é considerado por especialistas como um passo adiante nas intenções que Pequim tem de adquirir experiência em operações em porta-aviões, incluindo enviar para o mar um núcleo de aeronaves baseadas em porta-aviões enquanto aguarda a chegada do porta-aviões russo Varyag ( classe Admiral Kusnetsov) e sua entrada em serviço na PLAN.

O Varyag está sofrendo reparos nas docas de Dalian, no Mar Amarelo (Liaoning), e não estará operacional por vários meses ainda. Esta é a razão pela qual os pilotos navais chineses estão de olho no navio aeródromo São Paulo (ex Foch francês), adquirir experiência e desenvolver suas habilidades na arte de decolar e pousar em um porta-aviões. Somente recentemente o NAe São Paulo voltou ao mar após o término de um longo Programa de Extensão de Vida Útil (SLEP - Service Life Extention Program) em um estaleiro na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro. O navio está pronto para iniciar uma série de campanhas no mar com as aeronaves de combate AF-1 (A-4KU) Skyhawk pertecentes ao esquadrão VF-1, baseadas em São Pedro da Aldeia, no litoral Fluminense. Esta informação foi amplamente divulgada pelo website português "Poder Naval", entre outros, e este é considerado o primeiro passo para o início de uma estratégica parceria militar entre o maior país da America do Sul e a República Popular da China, que estão alcançando um grande desenvolvimento político e econômico de maneira paralela.

Hoje Brasília precisa do apoio de Pequim para obter um assento permanente em um possível Conselho de Segurança das Nações Unidas expandido para 10 membros, e que é visto por várias nações com uma maneira de se restaurar o balanço geopolítico necessário para reduzir a hegemonia política dos Estados Unidos da América. Uma idéia claramente apoiada também pela França, um dos mais leais aliados do Brasil no cenário internacional atualmente e um parceiro militar estratégico desde 2008.

Não é segredo que o Brasil gostaria de substituir o NAe São Paulo (em operação desde 1963) em meados da próxima década por um novo e maior porta-aviões. Com esse objetivo o país está considerando a possibilidade de desenvolver seu próprio porta-aviões por volta de 2020-2023, provavelmente com a ajuda da francesa DCNS. A recente opção (caso se confirmem os rumores) de Brasília pelo caça francês Dassault Rafale como vencedor do programa FX-2 poderia dar à Marinha do Brasil a oportunidade única de usar o mesmo vetor que a Força Aérea Brasileira em um futuro próximo, criando se assim a excepcional possibilidade de uma logística comum entre as duas organizações militares.

Mesmo que a idéia seja muito precipitada para receber atenção nesse momento, nada impede que a França e o Brasil possam desenvolver um novo porta-aviões em cooperação seguindo-se as linhas do projeto PA2, inicialmente planejado para 2010 e que provavelmente será adiado até depois de 2015. Tal plano seria extremamente coerente para ambas as nações, sendo as duas forças navais as únicas a usarem o Rafale M ao mesmo tempo. Qualquer que seja a decisão após a saída do Presidente Lula, o futuro da aviação naval brasileira tenderá a se basear nessa visão, mas do que em qualquer outra.

Photo: © Marinha do Brasil

 

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